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O maior erro de Rui Costa neste mercado que esta dar que falar

Ricardo Horta queria o Benfica e chegou a despedir-se dos adeptos bracarenses num quadro bizarro em que todos ficaram a perder, principalmente o jogador

«Uma final grandiosa mesmo sem grandes» foi o título feliz da crónica da final da Taça da Liga publicada em A BOLA e assinada pelo jornalista Paulo Cunha. Feliz, por ter feito o retrato fiel de um jogo intenso e decisivo em tão poucas palavras, em que houve de tudo, até uma obra de arte de Ricardo Horta, admirada em todos os países que tiveram o privilégio de a ver e que voltou a agitar as dúvidas no universo benfiquista sobre as razões que inviabilizaram sua mudança para a Luz, alegadamente por divergência de verbas, que a ninguém convenceu.

O caso foi muito falado e gerou acesa polémica devido ao conflito de interesses entre os atores envolvidos. Cada qual contou a sua versão e, como é natural, ninguém quis ficar desfocado na fotografia, mas a única certeza a extrair-se é que faltou a decisão de alguém com autoridade para concretizar a operação.

O Benfica desligou-se de Ricardo Horta e o FC Porto contratou David Carmo por 20 milhões, provavelmente sem dinheiro à vista porque Pinto da Costa, como estamos recordados, afirmou, na altura, ser fácil de negociar com o presidente bracarense, com quem se fala e o acordo fica selado com um aperto de mãos.

Este folhetim volta à colação devido ao espantoso golo de Ricardo Horta, na final da Taça da Liga, mas não é só. Continuo a acreditar, à falta de esclarecimento que nunca foi dado, que se tratou de um defeituosa avaliação de quem representou o Benfica e defendeu mal os seus interesses. Futebolisticamente falando, foi o maior erro de Rui Costa como presidente, e com poder para ter a última palavra.

Recordo-me de Roger Schmidt se ter mostrado agradado com o jogador, o que se compreende, até pelas aquisições que entretanto foram feitas, geralmente caras e a darem que pensar… É que Ricardo Horta marca, dá a marcar, joga e faz jogar. Além de ser humilde e sério. «Curiosamente, acho que não acertei uma vez na baliza nos treinos e, agora, no jogo, acabou por sair bem», afirmou à SPORT TV, a propósito do golo que testemunhámos. Mais palavras para quê?

Em julho de 2022, escrevi neste espaço que se a sua transferência para o Benfica falhasse a culpa seria de quem não percebesse que o preço justo é estabelecido pela qualidade do praticante e não pelo local do seu nascimento. Falhou!…

Tempos depois, porém, António Salvador revelou que pediu 20 milhões e um jogador, mais nada. O que se sabe é que Ricardo Horta queria sair e chegou a despedir-se dos adeptos bracarenses num quadro bizarro em que todos ficaram a perder, principalmente o jogador, talvez não do ponto de vista financeiro, mas, de certeza, em termos de valorização profissional.

A vitória na Taça da Liga reforçou o SC Braga como a quarta potência do futebol nacional. António Salvador, o seu presidente, não desiste da suprema ambição de um dia chegar ao título nacional, mas até lá prossegue no notável caminho iniciado em 2010, vice campeão nacional, atrás do Benfica, e confirmado em 2011 com a presença na final da Liga Europa, em Dublin, perdida para o FC Porto.

O presidente bracarense entrou na Liga dos Campeões em 2010, em 2012 repetiu a experiência e este ano, em terceira participação, percebeu, definitivamente, a diferença entre o grupo dos ricos e os outros… De toda a maneira, adquiriu já o estatuto de passageiro frequente da UEFA.

Desde que assumiu a presidência no SC Braga, António Salvador venceu a terceira Taça da Liga, atrás do Benfica (7) e do Sporting (4).

Na Taça de Portugal, das três que o SC Braga tem no seu museu, duas foram conquistadas no seu consulado.

No Campeonato da Liga, desde 2004, além de vice campeão em 2010, foi quarto classificado em onze ocasiões, terceiro em três e quinto também em três.

Quando chegou à presidência, Salvador recebeu o clube à beira da despromoção (14º). Desde então foi sempre a subir. Um sétimo lugar em 2008 e um nono em 2014 são as exceções num percurso ambicioso e consolidado, que elevou o emblema bracarense a um patamar de excelência, libertando-o de comparações regionalistas que apenas servem para acirrar rivalidades idiotas entre claques mentalmente perturbadas e que melhor fariam se ficassem em casa, como ficou demonstrado na final four de Leiria.

Nota – Na edição de ontem, que assinalou os 79 anos de A BOLA, em maiúsculas, o diretor Luís Pedro Ferreira entrevistou o selecionador nacional Roberto Martínez, com quem embirrei, confesso, por causa da flexibilidade tática anunciada e não praticada quando chegou. Agora, depois de ler esta entrevista, tenho de lhe pedir desculpa. Quantas vezes a Seleção consegue mudar de sistema dentro de um jogo?, foi a pergunta. Muitas, foi a resposta, porque «o sistema é relacionado à inteligência do jogador» e não subordinado à autoridade absoluta do treinador, acrescento, como muita boa gente continua erradamente a pensar na lusa paróquia. Um tema para muita conversa…

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