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Liga não pode prejudicar os clubes, o Sporting está a lutar pelo título

Em entrevista exclusiva, Rui Barreiro, antigo conselheiro do Sporting, analisou a difícil recalendarização do Famalicão-Sporting, adiado por falta de policiamento e desacatos nas imediações do estádio, no sábado. O importante para Barreiro é que essa solução “não prejudique” os leões.

No sábado, escreveu-se mais uma página negra do futebol português. O jogo entre Famalicão e Sporting, a contar para a 20.ª jornada da I Liga, teve de ser adiado, sem nova data prevista, por falta de policiamento e desacatos entre adeptos, nas imediações do estádio, com um rescaldo de seis feridos, um deles grave.

O sucedido deixa no ar a indefinição quanto à nova data do jogo. Em comunicado, ao final da tarde de sábado, a Liga de Clubes não informou nova calendarização, dizendo apenas que não havia condições para realizar a partida no sábado ou domingo.

O problema é o apertado calendário dos leões. Os regulamentos ditam que o encontro seja realizado nas próximas quatro semanas, mas a agenda do Sporting está já bastante preenchida, como poderá ver em detalhe aqui. Se o Sporting passar em frente na Taça de Portugal e na Liga Europa, terá dez jogos durante as referidas quatro semanas, não só ao fim de semana, como durante a semana.

Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, Rui Barreiro, antigo conselheiro do Sporting diz que o essencial nesta altura é respeitar os interesses dos clubes. “Devia ter tudo sido acautelado. Acredito que não se estava à espera, mas independentemente disso, realizaram-se mais jogos ontem [sábado] com mais espetadores do que aquele. Já fui várias vezes assistir a jogos em Famalicão a jogos e portanto não percebo como não foi acautelada a possibilidade de isto ter acontecido. A Liga de clubes vai ter de arranjar uma solução que não prejudique o Sporting. E também aos milhares de adeptos que se deslocaram ao norte do país e viram gorados os seus intentos de acompanhar o Sporting”, começa por dizer.

O caso concreto do Sporting é ainda mais delicado do que o Famalicão, segundo Rui Barreiro. “Acredito que do ponto de vista do calendário, não seja muito fácil. Mais do que avançar com datas, tem de haver condições para o Sporting não sair prejudicado desta situação. Julgo que há condições de a Liga não prejudicar os clubes envolvidos, sendo que o Sporting está a lutar pelo campeonato. Esta é uma época decisiva porque há apenas um clube que tem acesso direto à Liga dos Campeões. Espero que, depois do prejuízo que o Sporting já sofreu, não volte a ser prejudicado”, atira o antigo presidente da Câmara Municipal de Santarém.

Solução pode passar por adiar a meia-final da Taça de Portugal

Foi ainda questionado sobre a possibilidade de, no caso do Sporting passar à meia-final da Taça de Portugal (pode até defrontar o Benfica nesse jogo), a Liga chegar a um entendimento com a Federação Portuguesa de Futebol, entidade organizadora da prova-rainha, para adiar esse encontro e disputar aí o Famalicão-Sporting, a 28 de fevereiro:

“Essa é uma solução. Não me parece que seja a altura das instituições do futebol português estarem de costas voltadas. Implica que os dirigentes se entendam, nomeadamente do Sporting. Em fevereiro, o clube tem seis jogos agendados. Não é fácil arranjar uma solução que não prejudique o Sporting. E também estão envolvidos nas competições europeias, convém não esquecer que a prestação do país no ranking também está em causa”, lembra Rui Barreiro.

Quem estiver envolvido em casos de violência, tem de ser banido porque não é um espetador sociável
Por fim, o Desporto ao Minuto confrontou Barreiro com as críticas que a Liga deixou aos polícias, acusando-os de “instrumentalizar” o futebol em prol de interesses alheios, “com os quais não tem qualquer relação”. “Não me parece razoável que haja tomadas de posição deste género que põem em causa, não só a realização do espetáculo desportivo, mas também a segurança dos espetadores. Houve atos de violência fora do estádio e isso não é aceitável. Isso provavelmente não tem que ver com a Liga nem com as próprias polícias”, admite. No entanto, Rui Barreiro deixa um apelo à Liga.

“Este caso devia fazer refletir os próprios clubes e a Liga para as medidas que devem ser tomadas para banir a violência dos recintos desportivos e da sua envolvência. Não basta dizer aquilo que a Liga disse, que é querer fazer o futebol uma festa de família. Há quantos anos há problemas à volta dos estádios e violência? As polícias têm de criar caixas de segurança para acompanhar alguns adeptos aos estádios. Se formos ao teatro, ao cinema, à ópera ou ao bailado, isso não acontece. A Liga não pode continuar a agir de mão leve para quem vai para aquele espetáculo descarregar as suas frustrações. Se o futebol inglês, que era o futebol dos hooligans e hoje em dia não, certamente em Portugal também poder-se-á fazer isso. Quem estiver envolvido em casos de violência, tem de ser banido porque não é um espetador sociável”, conclui o antigo conselheiro leonino.

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